Cibercriminoso brasileiro tem QI acima da média e idade entre 24 e 33 anos
26.06.2009
São Paulo - Delegado da Polícia Civil de São Paulo, José Mariano Araújo,
aponta que jovens veem criminosos digitais como pessoas de sucesso.
Em geral, o cibercriminoso brasileiro possui entre 24 e 33 anos (embora
tenha crescido o número de criminosos na faixa de 12 a 16 anos), é
estudante ou operador de sistemas, muda constantemente de emprego, tem “QI”
acima da média, é do sexo masculino, bem vestido e não acredita estar
cometendo crimes.
O perfil foi exposto pelo delegado da Polícia Civil do Estado de São Paulo,
José Mariano Araújo, nesta terça-feira (23/06), em entrevista à imprensa.
“Virou uma profissão para jovens que enxergam nos cibercriminosos pessoas
de sucesso, exatamente pelos ganhos financeiros que eles obtêm com fraudes
e desfalques a bancos pela internet”, conta Araújo.
O delegado citou que o Brasil possui muitos entraves para combater os
crimes eletrônicos e segue na contramão de muitos países. “A falta de uma
legislação própria impede que cibercriminosos sejam punidos de forma
correta”, critica. “O que existe são artigos adicionados ao Código Penal”.
Para Araújo, a não ratificação do País à Convenção de Budapeste –
legislação que está sendo endossada por várias nações do mundo como base de
ação mundial de combate aos crimes cibernéticos – complica ainda mais as
investigações da polícia. “Os criminosos não atuam somente no Brasil. Eles
possuem conexões fora”, ressalta.
O delegado cita uma operação que desbaratou quadrilha do mIRC (programa de
comunicação entre servidores, que funciona como canal de bate-papo
on-line), em que o Canal Brasil mantinha contato com a Alemanha na troca de
informações bancárias.
Araújo também criticou duramente as operadoras de telefonia celular por
atrapalharem a identificação dos criminosos. Ele atentou ainda para a
evolução do crime organizado que tem atraído cada vez mais jovens hackers,
financiando operações ilícitas, entre as quais desfalques às operações
online dos bancos. “Como as penalidades são brandas, há casos de criminosos
que mesmo presos repassam o ‘know how’ a outros presos na cadeia”, lembra
Araújo, ao citar um cibercriminoso que chegou a ganhar 8 milhões de reais
com fraudes e crimes.
Segundo ele, o número de crimes pela Internet cresceu exponencialmente nos
últimos anos no País. De acordo com dados do Centro de Estudos, Respostas e
Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (Cert.br), até março de
2009 já foram registrados 218,074 mil incidentes reportados, enquanto
durante 2008 inteiro os casos chegaram a 222,528 mil.
O projeto de lei do Senador Eduardo Azeredo, que trata de crimes de
informática, está em tramitação no Congresso Nacional, mas ainda não há
previsão para que ele seja aprovado e entre em vigor.
http://idgnow.uol.com.br/seguranca/2009/06/23/cibercriminoso-brasileiro-tem
-qi-acima-da-media-e-idade-entre-24-e-33-anos/
Fonte: COMPUTERWORLD