Spam: 10 perguntas e respostas
18.05.2009
São Paulo - Brasil terá análise de golpes e prepara código de conduta
anti-spam este ano. Tire suas dúvidas sobre e-mails indesejados e fraudes.
Quantas vezes por dia você se depara com mensagens indesejadas ao consultar
seus e-mails no trabalho ou em casa? Pois parte destas mensagens comerciais
ou fraudulentas que se aglomeram em sua caixa de entrada representam
atualmente 86% do tráfego de e-mails do mundo, segundo a empresa de
segurança McAfee. Isso sem contar os spams que já se espalham via mensagens
de texto em seu celular, pelo comunicador instantâneo ou no microblog
Twitter.
O Brasil vem ganhando uma participação considerável no tráfego mundial de
spams. No primeiro trimestre, o País subiu da quarta para segunda posição
como maior emissor de mensagens indesejadas (10,2%) da rede mundial,
ficando somente atrás dos Estados Unidos, segundo a empresa de segurança
Sophos.
De acordo com o Relatório Sobre Ameaças de Segurança na Internet, divulgado
em meados de abril pela Symantec, o País é responsável por 4% de todo o
spam enviado mundialmente. Na América Latina, o Brasil liderou o envio de
mensagens não solicitadas, com 29% de participação na região, em 2008.
Para combater o problema do lado técnico, o Brasil ganhará em breve um
sistema para analisar golpes por e-mail e identificar seus autores. A
iniciativa da Polícia Federal em conjunto com órgãos da administração
pública começa a entrar em prática em junho. Do lado comercial,
anunciantes, provedores de acesso, associações e órgãos de internet
finalizam a elaboração de um Código de Autorregulamentação para Prática de
E-mail Marketing, incluindo punições para os infratores com a criação de
uma espécie de Conselho Nacional de Autoregulamentação Publicitária (Conar)
deste setor.
Enquanto as medidas não geram impacto em sua caixa de entrada, é possível
reduzir o volume de spams e blindar sua máquina para não juntar-se a eles.
Confira abaixo 10 perguntas e respostas sobre spams e golpes online.
1) Por que o volume de spams e golpes de phishing scam tem crescido no
Brasil?
A inclusão digital e o aumento de máquinas com acesso em banda larga
aliados à falta de segurança e de uma política de intermediação de e-mails
por provedores têm aberto um caminho crescente para os spammers e
golpistas, avaliam especialistas.
No primeiro trimestre de 2009 o CERT.br, grupo de resposta a incidentes de
segurança para a Internet brasileira, mantido pelo NIC.br do Comitê Gestor
da Internet no Brasil, recebeu mais de 1,4 milhão de notificações de spam.
Na avaliação de Cristine Hoepers, gerente do CERT.br., 80% das reclamações
envolvem o uso indevido de máquinas brasileiras com proxies abertos ou
proxies instalados por códigos maliciosos, como os bots. As máquinas
infectadas – especialmente em conexões de banda larga - formam um exército
de ‘zumbis’ capaz de enviar milhares de spams sem que a vítima perceba.
A razão, segundo Hoepers, é que no Brasil a maioria das operadoras de banda
larga ainda não implementa uma técnica amplamente difundida em outros
países, que se chama Gerência de Porta 25 - conjunto de políticas e
tecnologias, implantadas em redes de usuários finais ou de caráter
residencial, que evita o envio direto de um e-mail ao servidor de correio
eletrônico do destinatário.
2) Qual a diferença entre spam e golpe (phishing scam)?
Conforme explica José Matias, gerente de suporte técnico da McAfee para a
América Latina, o phishing scam chega ao internauta como se fosse um spam.
“A diferença é que o spam vai te oferecer um produto e não te levar a um
site malicioso com um cavalo-de-tróia para tomar conta da máquina ou
monitorar suas atividades para roubar sua identidade (números de cartões de
crédito, senhas e dados bancários).
"Os usuários devem ficar atentos a mensagens recebidas por e-mail ou via
serviço de troca instantânea de mensagens, onde o texto procura atrair sua
atenção, seja por curiosidade, por caridade, pela possibilidade de obter
alguma vantagem (normalmente financeira), entre outras", afirma Hoepers. De
acordo com a empresa de análises de segurança, WebSense, 90,4% dos spams
carregam tentativas de golpes.
3) O que o internauta deve fazer caso perceba que clicou em um link falso?
“Imediatamente sair do site, fechar navegador, atualizar o antivírus e
executar uma varredura do sistema naquele momento”, recomenda Matias.
Segundo ele, para identificar um site suspeito o internauta deve verificar
o sinal de link seguro no endereço do site (começando com ‘https’) e se o
certificado está em nome da instituição responsável pelo site. “Alguns
sites maliciosos possuem scripts HTML que infectam a máquina sem a
necessidade de qualquer clique no site”, lembra Matias.
4) A quem denunciar um spam ou e-mail falso?
Os internautas podem denunciar mensagens falsas por e-mail para a Polícia
Federal crime.internet@dpf.gov.br e ao CERT.br mail-abuse@cert.br .
Cristine Hoepers também recomenda que o consumidor reclame junto aos
responsáveis pela rede de onde partiu a mensagem, incluindo seu cabeçalho
completo (header) para permitir a identificação. “É no cabeçalho de uma
mensagem que estão as informações sobre o endereço IP de origem, por quais
servidores de e-mail ela passou, entre outras informações”, explica. O
Cert.br conta com uma página que explica como identificar o header da
mensagem.
5) É recomendável responder a uma mensagem indesejada solicitando o
cancelamento do envio?
Depende. Na avaliação da advogada especialista em direito digital, Patrícia
Peck*, o internauta deve observar duas situações: as mensagens enviadas por
uma empresa preocupada com suas relações com clientes e as mensagens
enviadas em massa por spammers, visando lucrar com anunciantes ou ainda
disseminar códigos maliciosos.
“No primeiro cenário, o e-mail pode ser respondido como parte de um
‘opt-out’, fazendo com que o remetente retire seu endereço da lista de mala
direta. No segundo cenário, a resposta apenas confirmará para o spammer que
aquele endereço de e-mail está ativo. Dependendo do método do spammer, isto
levara à multiplicação da quantidade de spams e outras ameaças”, explica
Peck.
6) O que é feito com os e-mails denunciados no Brasil?
De acordo com o chefe da Unidade de Repressão a Crimes Cibernéticos da
Polícia Federal, delegado Carlos Eduardo Miguel Sobral, os links para sites
com códigos maliciosos presentes em e-mails falsos perdem a validade em 2
dias, quando denunciados pela Polícia Federal aos responsáveis pelos
servidores que hospedam tais links.
Em meados de junho, a Polícia Federal e o Centro de Tratamento de
Incidentes de Segurança em Redes de Computadores da Administração Pública
Federal (CTIR) começam a testar um novo sistema que permitirá a análise dos
golpes virtuais que circulam no Brasil, bem como ajudar na identificação
dos criminosos. Em 2008, a Polícia Federal registrou 25 mil golpes virtuais
diferentes enviados por e-mail
7) É possível processar um spammer pela legislação brasileira?
Sim, se o internauta sentir-se ofendido com o recebimento de spams afirma
Patrícia Peck*. Entretanto, ela sugere que primeiro o internauta opte pela
solicitação de não recebimento e envio de notificação extrajudicial. Se as
medidas não surtirem efeito, segundo ela, é possível entrar com uma ação de
“obrigação de não fazer com pedido de tutela antecipada”. Na ação, o
internauta irá pedir para que o spammer se abstenha do envio das mensagens
indesejadas, sob pena de multa.
8) As pessoas compram produtos de spammers?
Sim. No livro “Click”, Bill Tencer, gerente geral de pesquisas globais da
Hitwise, conta que 8% dos internautas norte-americanos que receberam spams
fizeram compras dos produtos anunciados. O autor destaca a oferta do
medicamento Viagra como um dos casos mais bem-sucedidos de spam por conta
do preço. Segundo ele, uma pílula do medicamento custa entre 10 e 15
dólares nos Estados Unidos. No entanto, o valor pode cair para 2 dólares em
países onde a patente do princípio ativo do medicamento expirou. “A
internet solucionou um problema enfrentado pelos produtores de remédios de
baixo custo: como vender e distribuir estas drogas” escreve Tencer.
“Do mesmo jeito que pessoas compram DVDs piratas no camelô, há pessoas que
compram produtos oferecidos por e-mails comerciais indesejados”, comenta
Walter Sabini Junior, Chief Executive Officer (CEO) da empresa de e-mail
marketing Virid e coordenador do Código de Autorregulamentação para Prática
de E-mail Marketing no Brasil. Atualmente, o comitê que desenvolve um
código para regulamentar e punir os spammers no Brasil. “Será uma espécie
de Conar para o segmento de e-mail marketing”, observa. O Código deve sair
no segundo semestre deste ano.
9) O anti-spam é indispensável? Como ele funciona?
Basicamente, uma vez que o usuário coloca um remetente no lixo eletrônico
de seu programa de mensagens, ele cria uma lista negra, mas isso não
garante que seja um spam porque ele não analisa o conteúdo da mensagem,
compara José Matias, da McAfee. “Para cada tipo de informação – caracteres,
conjunto de palavras e até mesmo imagens – o software anti-spam vai gerando
uma pontuação - se encontra palavras como Viagra e produtos muito
oferecidos nestes e-mails ganha mais um ponto. Quando o índice chega a 5
pontos a mensagem é classificada como spam”, explica. O usuário pode
regular estas regras – aumentar ou diminuir a pontuação – de acordo com o
conteúdo das mensagens que recebe.
Na avaliação de Cristine Hoepers, do Crt.br, o mais importante é que
internauta possua diversas camadas de segurança. "Um firewall pode proteger
de tentativas de descobrir vulnerabilidades na máquina e de acessá-la
remotamente sem autorização. Um antivírus pode detectar códigos maliciosos
conhecidos que cheguem por e-mail ou sejam baixados através de páginas,
programas de mensagens instantâneas, programas de trocas de arquivos ou
pendrives e disquetes. E um software anti-spam pode identificar mensagens
maliciosas através das suas características, palavras-chave etc.”,
recomenda.
10) É possível eliminar o spam?
Na avaliação de Matias, os spams e golpes não podem ser totalmente
erradicados mesmo com ações do usuários, provedores e ferramentas. “É um
caso de polícia", afirma. "No ano passado, o FBI fechou o site McColo – que
hospedava centenas de sites de spammers - e a internet ficou um dia inteiro
sem spam”, lembra o gerente de suporte técnico, embora os spammers tenham
se reorganizado no dia seguinte e tudo tenha "voltado ao normal". “Não dá
para eliminar o spam a não ser que você elimine as pessoas que criam o
spam. Que elas sejam detidas”, conclui.
*Por Daniela Braun editora executiva do IDG Now, com a colaboração dos
advogados Sandra Tomazi e Diego Vieitez do escritório Patrícia Peck
Pinheiro Advogados.
http://idgnow.uol.com.br/seguranca/2009/05/12/spam-10-perguntas-e-respostas
-sobre-e-mails-indesejados-e-golpes-online/
Fonte: IDG Now!