Ameaça crítica de Dia Zero explora falha em browse
15.01.2009
Uma brecha crítica no Internet Explorer (IE) foi identificada em meados de
Dezembro, fazendo com que a Microsoft divulgasse a segunda atualização de
patch não-programada em apenas dois meses, finalizando assim um conturbado
ano de graves incidentes de segurança. Neste caso, a vulnerabilidade foi
considerada “crítica” – a classificação mais grave para ameaças no sistema
de quatro níveis da Microsoft. Esta vulnerabilidade já foi explorada em
ataques “drive-by”, que utilizam sites autênticos comprometidos por injeção
SQL para infectar computadores desprotegidos. Este tipo de ataque não
requer interação do usuário - basta visualizar o site infectado com um
browser vulnerável (neste caso, o Internet Explorer) para que computadores
desprotegidos sejam infectados com trojans, backdoors, rootkits e outros
códigos maliciosos, baixados e executados sem que o usuário perceba.
Definição da Ameaça
No dia 9 de dezembro de 2008, várias páginas index.php de painéis de
mensagem e fóruns Chineses redirecionavam browsers para páginas contendo um
código que explorava uma vulnerabilidade desconhecida e várias outras
conhecidas do IE. De acordo com analistas de segurança, os sites são
invadidos por injeção SQL. Para isto, os cybercriminosos injetam códigos
maliciosos em strings que são enviados às áreas de entrada do Website
atacado, repassadas aos servidores SQL e então executadas. Muitos dos
ataques em massa recentes utilizaram esta técnica.
A Trend Micro identificou o script que explora a brecha no IE como JS
DLOAD.MD. O “kit” de exploit possibilita o download do malware, que varia
conforme a vulnerabilidade detectada. O malware baixado inclui Trojans
AGENT, rootkits (RTKT BUREY.C), e malware para roubo de dados (variantes da
família TSPY_ONLINEG). Várias horas após esta descoberta, o número de URLs
maliciosos levando a executáveis também maliciosos chegou a quase mil.
1. Um usuário visita um site hackeado com JS)DLOAD.MD.
2. JS_DLOAD.MD redireciona browsers.
3. O browser finalmente redireciona a uma página com “kit” de exploração.
4. Assim que o exploit é executado, o PC baixa arquivos.
5. Os arquivos podem ser adware, worms, Trojans ou TSPYs, dependendo da
vulnerabilidade.
O exploit bombardeia uma parte da memória da aplicação com uma enxurrada de
caracteres (também conhecido como heap spray), se aproveitando da maneira
como o Internet Explorer lida com data bindings dinâmicos HTML. Data
Binding é o estabelecimento de relação entre dados de modo que qualquer
mudança em um dos dados cause mudanças em dados relacionados. Pesquisadores
e analistas temiam pelo pior enquanto aguardavam que a Microsoft anunciasse
uma solução para esta vulnerabilidade, que então já se tornara pública.
Eles formularam cenários de contingência, alguns dos quais incluíam a
desabilitação de certos recursos e funcionalidades do IE, com os mais
radicais chegando a recomendar o uso de outros browsers. Não existia patch
durante o pico destes ataques, enquanto os pesquisadores de vulnerabilidade
encontravam outras brechas para este código malicioso. Alguns dias depois,
pesquisadores da Trend Micro identificaram mais de 6.000 sites injetados
com o código malicioso. Alguns dos scripts exploravam vulnerabilidades do
IE para baixar o WORM_AUTORUN.BSE. Este worm cria mais de cinquenta
entradas de registro, o que garantiria sua execução automática a cada
inicialização do PC infectado. Além disto, o worm se conecta a locais
remotos para baixar ainda mais arquivos, incluindo Trojans, adware, e
outros worms. Depois de uma semana tensa, a Microsoft finalmente lançou o
Boletim de Segurança da Microsoft MS08-078.
A exploração de brechas em browsers é explorada com frequência devido à sua
inerente conectividade na Internet. Todos aqueles que acessam a Internet
utilizam um dos muitos browsers disponíveis, como o Internet Explorer,
Mozilla Firefox, Apple Safari e Opera. Assim, cybercriminosos conseguem
atingir mais vítimas com menos esforço utilizando brechas em browsers.
Usuários que não realizarem a atualização para versões mais recentes se
tornam alvos preferenciais deste tipo de ataque – e ainda existem muitos
destes usuários, especialmente os usuários “casuais”. Enquanto os
fabricantes ainda trabalham no desenvolvimento de patches, todos os
usuários estão sujeitos ao ataque.
Em junho do ano passado, um pesquisador de segurança descobriu uma
vulnerabilidade no Safari que tornava os sistemas suscetíveis a vários
arquivos maliciosos não solicitados. A indústria de software cunhou o termo
“carpet-bombing” (bombardeamento de carpete) como uma alusão ao alcance do
estrago causado para as vítimas. O recém-lançado Chrome, da Google, herdou
a mesma brecha, apesar de que uma das maneiras de imediatamente remediar o
problema é simplesmente ajustar as configurações de download na caixa de
diálogo de opções do programa. Ainda em junho, o Firefox passou por
semelhantes dificuldades com o público devido a uma brecha que poderia
permitir que cybercriminosos sequestrem PCs que visitam determinados sites
utilizando o Firefox.
Os bugs de Dia Zero, contudo, aumentam o perigo para usuários e o lucro
para os cybercriminosos, levando o crime na internet para um novo patamar.
Usuários conscientes que realizam atualizações constantes correm o mesmo
risco de usuários mais negligentes. Somente aqueles usuários com maior
conhecimento técnico terão tempo e disposição para vasculhar artigos e
blogs de segurança em busca de soluções que exijam reconfiguração de seus
navegadores. Esta ameaça é intensificada pela disponibilidade de kits
comerciais que permitem que mesmo cybercriminosos sem experiência utilizem
estas brechas com códigos complexos para seus próprios ataques.
Riscos e Exposição do Usuário
Ataques de Dia Zero podem, em última instância, resultar em perda da
identidade online do usuário, da informação pessoal e ativos financeiros.
Nos jogos online, usuários podem perder informações sobre fases e outros
itens coletados ao longo do tempo. A vulnerabilidade de data binding afeta
todas as versões do Internet Explorer, mas a maioria dos ataques foram
direcionados a usuários do Internet Explorer 7. O ataque não requer
qualquer interação do usuário além da simples visualização das páginas
infectadas, algumas das quais encontram-se em sites autênticos e bem
conhecidos. Os cybercriminosos infectam prioritariamente sites conhecidos
com um grande volume de visitação para assim atingir um maior número de
usuários. Em alguns ataques, o código faz com que o browser pare de
responder, causando ainda mais perda de dados.
Até o fechamento desta matéria, aproximadamente 15.000 varreduras
monitoradas encontraram infecções JS_DLOAD.MD, a maior parte das quais
estão na China. Jogos online são muito populares na China e atraem muitos
jogadores, e os sites hackeados estavam em Chinês.
Recomendações e Soluções Trend Micro
A segurança oferecida pelo Trend Micro Smart Protection Network é muito
mais inteligente do que aquela proporcionada por abordagens mais
tradicionais. Esta solução bloqueia as ameaças mais recentes antes mesmo
que cheguem à sua máquina. Esta tecnologia é impulsionada pelo Data Center
da Trend Micro, oferecendo uma combinação única de proteção na nuvem com
uma arquitetura leve de cliente para uma proteção imediata e automática
sempre que você se conectar.
O Smart Protection Network oferece uma camada de defesa através da
tecnologia de Web Reputation, que bloqueia a conexão a fontes com
reputação duvidosa para prevenir a infecção. Neste ataque, o acesso a URLs
maliciosos está sendo bloqueado, e portanto os usuários ficam protegidos
dos arquivos maliciosos. Além disto, a tecnologia File Reputation fornece
maior proteção ao verificar a integridade de todos os arquivos que forem
baixados sem a ciência do usuário em caso de reputação desconhecida de URL.
Por último, no nível do usuário, a tecnologia antivírus detecta e remove as
variantes JS_DLOAD.MD, RTKT_BUREY.C, WORM_AUTORUN.BSE, TSPY_ONLINEG e
outras ameaças
Fonte: Trend Micro